A mota elétrica como segundo veículo: faz sentido financeiro?

A mota elétrica como segundo veículo: faz sentido financeiro? - BS mov

Todos os dias, milhares de portugueses enfrentam o mesmo dilema: pegar no carro para percursos curtos que não justificam o custo do combustível, do estacionamento e do tempo perdido no trânsito. Uma ida ao trabalho de 10 km, uma deslocação ao centro da cidade, levar documentos a um cliente. São trajetos que, somados ao fim do mês, representam centenas de euros em combustível e desgaste do veículo principal.

E se existisse uma alternativa mais económica, mais prática e com benefícios fiscais incluídos?

A ideia de ter uma mota elétrica como segundo veículo tem vindo a ganhar força em Portugal. Mas entre o interesse e a decisão de compra, falta muitas vezes uma análise concreta: compensa ou não, em termos financeiros? É isso que vamos analisar neste artigo, com números e dados atualizados.

O custo real de usar o carro em trajetos curtos

Antes de falar da mota elétrica, vale a pena olhar para o custo que já está a pagar sem reparar.

Um carro a gasolina que consuma 6,5 litros aos 100 km, com o preço médio da gasolina em Portugal acima dos 1,70€/litro, gasta aproximadamente 11€ por cada 100 km percorridos. Num percurso diário de 20 km (ida e volta ao trabalho, por exemplo), são cerca de 2,20€ por dia, ou seja, perto de 48€ por mês só em combustível.

A isto somam-se custos que passam despercebidos: desgaste de pneus, pastilhas de travão, revisões periódicas com troca de óleo, filtros e velas. Segundo a UVE (Associação de Utilizadores de Veículos Elétricos), o custo médio anual de manutenção de um veículo a combustão ronda os 180€, contra apenas 50€ num veículo elétrico.

E depois há o IUC, o seguro, o estacionamento. Tudo somado, o carro não é apenas um meio de transporte. É uma despesa fixa considerável.

Quanto custa andar de mota elétrica?

Aqui os números mudam por completo.

Uma mota elétrica equivalente a 50 cc ou 125 cc consome, em média, entre 3 a 6 kWh por cada 100 km. Se carregar em casa, com tarifa bi-horária, o custo por quilowatt-hora fica entre 0,10€ e 0,16€. Na prática, percorrer 100 km numa mota elétrica custa entre 0,30€ e 1,00€. Ou seja, cerca de dez vezes menos do que o equivalente a gasolina.

A manutenção é quase residual. Sem motor de combustão, não há óleo para trocar, nem filtros, nem velas, nem embraiagem. Os únicos componentes sujeitos a desgaste regular são os pneus e as pastilhas de travão, que duram mais graças à travagem regenerativa. Uma scooter elétrica pode passar meses sem necessitar de qualquer intervenção mecânica.

E o IUC? Não existe. Os veículos 100% elétricos estão isentos de Imposto Único de Circulação. Também estão isentos de ISV (Imposto sobre Veículos), o que reduz o custo de aquisição logo à partida.

Incentivos do Estado: até 1.500€ de apoio

O Governo português, através do Fundo Ambiental, tem mantido um programa de incentivos à compra de veículos de emissões nulas. Na edição 2025/2026 do programa Mobilidade Verde — Passageiros, os motociclos, ciclomotores, triciclos e quadriciclos elétricos são elegíveis para um incentivo de 50% do valor de aquisição, com um limite máximo de 1.500€.

Este apoio é válido para pessoas singulares (um veículo por pessoa) e para pessoas coletivas (até quatro veículos). As candidaturas são submetidas online, no site do Fundo Ambiental, e aprovadas por ordem de submissão até esgotar a dotação. Como as fases anteriores esgotaram em poucos dias, é fundamental preparar a candidatura com antecedência.

Além do incentivo direto, há benefícios fiscais que se mantêm em vigor: isenção de ISV e isenção de IUC. Para quem utiliza a mota no contexto profissional ou empresarial, podem existir vantagens adicionais ao nível do IVA e do IRC, dependendo do enquadramento fiscal.

Simulação prática: mota elétrica vs. carro a gasolina

Vamos colocar os números lado a lado, considerando um utilizador que percorre 6.000 km por ano em trajetos urbanos (cerca de 25 km por dia útil, um valor baixo).

Carro a gasolina (usado como segundo veículo):

  • Combustível: ~390€/ano (6,5 L/100 km × 1,70€/L)
  • IUC: ~50 a 120€/ano
  • Manutenção: ~180€/ano
  • Seguro: ~250 a 400€/ano
  • Total estimado: 870€ a 1.090€/ano

Mota elétrica equivalente a 125 cc:

  • Eletricidade: ~30 a 60€/ano (carregamento doméstico)
  • IUC: 0€
  • Manutenção: ~30 a 50€/ano
  • Seguro: ~80 a 150€/ano
  • Total estimado: 140€ a 260€/ano

A diferença anual pode atingir os 700€ a 800€. Em cinco anos, estamos a falar de uma poupança acumulada que pode ultrapassar os 4.000€, sem contar com o incentivo estatal na compra.

Para quem faz sentido?

Uma mota elétrica como segundo veículo é especialmente vantajosa para quem:

  • Percorre trajetos urbanos ou suburbanos até 50 km por dia.
  • Quer reduzir custos fixos mensais com transporte.
  • Já tem carro e precisa de uma alternativa ágil para o dia a dia.
  • Valoriza a facilidade de estacionamento nas cidades.
  • Procura uma opção de mobilidade com menor impacto ambiental.

Não substitui o carro para viagens longas ou para transportar a família. Mas cobre, com vantagem, a maioria dos trajetos que fazemos durante a semana.

E a autonomia? Chega para o dia a dia?

É a pergunta que mais surge. E a resposta, para a grande maioria dos utilizadores urbanos, é sim.

As scooters elétricas atuais oferecem autonomias entre 60 e 120 km por carga, dependendo do modelo e do estilo de condução. Para quem percorre 20 a 40 km por dia, basta um carregamento a cada dois ou três dias. A carga pode ser feita numa tomada doméstica comum, durante a noite, sem necessidade de instalar equipamentos especiais.

Modelos mais avançados, com baterias removíveis, permitem levar a bateria para casa ou para o escritório e carregá-la diretamente numa tomada. É tão simples quanto carregar um telemóvel, mas com resultados no orçamento mensal.

Uma decisão que se paga a si própria

A questão não é se uma mota elétrica é um luxo. É se continuar a gastar centenas de euros por mês em deslocações curtas faz sentido quando existe uma alternativa concreta e mais económica.

Com incentivos estatais ativos, isenções fiscais permanentes e custos de utilização que são uma fração dos de um veículo a combustão, ter uma mota elétrica como segundo veículo é uma decisão financeira, não apenas ambiental.

Na BS Mov, ajudamos a encontrar o modelo certo para o seu dia a dia. Pode agendar um test drive gratuito ou visite-nos numa das nossas lojas e experimentar na prática o que os números já mostram: mudar faz sentido. E compensa.

 

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Sobre o autor
Márcio Araújo
Responsável de marketing e comunicação na BS MOV.